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Ativista da Cada Criança demandou justiça tributária e financiamento para combater o trabalho infantil e a exclusão escolar na Assembleia Geral da ONU

Edgleison Rodrigues também pediu renda básica para famílias brasileiras

Enquanto líderes mundiais se encontram nesta semana na 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (AGNU), jovens ativistas de vários países se reuniram em evento paralelo, na programação geral da AGNU, e pediram atenção para a situação de pobreza e injustiça social vivida por crianças de países pobres do mundo.

Como parte do webinário “Put Your Money Where Your Mouth Is” (“Coloque seu dinheiro onde estão suas palavras”, em tradução livre), organizado pela plataforma 100 Milhões Internacional, coordenada globalmente pelo Nobel da Paz 2014 Kailash Satyarthi, e coordenada no Brasil pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação em parceria com o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, sob o nome de Cada Criança, o ativista cearense Edgleison Rodrigues discursou pedindo a líderes políticos e tomadores de decisão por mais investimentos na educação pública brasileira. Edgleison integra o Comitê Gestor da plataforma no Brasil.

“É imprescindível que países e tomadores de decisão defendam a implementação de políticas públicas de renda básica para as famílias e proteção social para crianças e adolescentes”, afirmou.

Pedimos uma divisão justa dos recursos e que os mais ricos distribuam suas riquezas pelos mais pobres”, disse Edgleison. “Precisamos lutar pela educação e pelos investimentos públicos na educação, pois sabemos que crianças em todo o mundo estão fora da escola ou com problemas de acesso à educação online. E o risco de não voltarem à escola e adentrarem em situação de trabalho infantil é real.”

Edgleison esteve em Nova York no ano passado representando a Cada Criança para a reunião anual de jovens mobilizadores. Formado em Ciências Sociais, ele é articulador nacional de juventudes da ONG Visão Mundial.
 


Laureados
Alanna Mangueira, sergipana, também ativista e integrante do Comitê Gestor da Cada Criança, participou no início do mês do evento
"Fair Share For Children Summit" para encontro de Laureados e Líderes. Alanna dividiu sua fala com dois Nobéis da Paz, Kailash e Leymah Gbowee, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, e o Dalai-lama. 

“Nossos desafios enquanto defensores de direitos humanos de crianças e adolescentes são estratosféricos e tornam ainda mais difícil o alcance da meta 8.7 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, de eliminação de todas as formas de trabalho infantil até 2025”, disse Alanna.

“Ano que vem é o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil. Precisamos de ações concretas e imediatas de todos vocês [líderes] que participam deste encontro tanto no que se refere ao combate ao trabalho infantil quanto à defesa do direito à educação para todas as crianças e adolescentes.” 

Criada pelo Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, em 2016, e coordenada no Brasil pela Campanha, com parceria temática do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), a plataforma 100 Milhões/Cada Criança existe para somar esforços em vários setores da sociedade para combater diferentes formas de exploração da criança, tendo foco inicial de ação o trabalho infantil.

Leia na íntegra a fala de Edgleison Rodrigues no evento paralelo à Assembleia Geral da ONU:

Quando todas as crianças terão justiça? Esta foi a pergunta que fizemos no ano passado durante o evento 100 Milhões, em Nova York, e hoje fazemos novamente.

As crianças e jovens mais marginalizados e vulneráveis ​​do Brasil vivem em comunidades pobres e, durante esta pandemia de COVID-19, foram afetados diretamente em suas vidas.

Eles tiveram algum apoio do governo, mas não é suficiente. É necessário mais investimentos para que as famílias pobres possam lidar com essa situação. Todo tipo de violência continua acontecendo durante esta situação de pandemia. A cada 23 minutos, um jovem negro é morto em nossas comunidades, muitas meninas foram vítimas de exploração sexual e milhares de crianças trabalham nas ruas. E precisamos de governos que reconheçam a violência contra os jovens no Brasil e respeitem o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Precisamos lutar contra todas as violências que afetam a vida das crianças e essa batalha deve ser um compromisso de todos, sociedade civil, governantes, empresas.

Além disso, precisamos lutar pela educação e pelos investimentos públicos na educação, pois sabemos que crianças em todo o mundo estão fora da escola ou com problemas de acesso à educação online. E o risco de não voltarem à escola e iniciarem o trabalho infantil é real.

Queremos pedir mais compromisso e investimentos na vida das crianças. Portanto, pedimos uma divisão justa dos recursos e que os mais ricos distribuam suas riquezas pelos mais pobres.

É possível, neste contexto, superar os desafios? É possível, desde que haja vontade política e trabalho em rede, para garantir a proteção de milhares de crianças e adolescentes contra o trabalho infantil e tantas outras violações dos direitos humanos.

Dentre os caminhos possíveis, é imprescindível que países e tomadores de decisão defendam e pressionem por mais investimentos na educação pública, defendam a implementação de políticas públicas de renda básica para as famílias e proteção social para crianças e adolescentes.