Análises

52 anos de Stonewall: Pelo direito de aprender, ensinar, ser e amar a quem quisermos

Por Thais Iervolino

Era madrugada do dia 28 de junho de 1969 quando lésbicas, travestis, gays iniciaram um protesto em Nova York que durou seis dias e que ficou conhecido como “Rebelião de Stonewall”. Essa foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que a comunidade LGBTIQA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Trangêneros, Intersexo, Queer, Assexuais) lutou contra um um sistema repressor liderado pelo Estado.

Aqui no Brasil, essa luta começou na mesma época, na década de 1970, por meio de reuniões em ambientes fechados - clubes, bares - afinal era o tempo em que  a Ditadura Militar se aproximava de seu auge. Ainda assim, conseguiram publicar jornais em defesa da comunidade e temas LGBTs que são referência até hoje, além de ações como o Protesto no Ferros Bar, quando em 1983 lésbicas forçaram a entrada no bar e leram um manifesto sobre os direitos das mulheres lésbicas e contra a repressão, aumentando sua referência e atuação política em São Paulo.

Mais de 50 anos depois da rebelião de Stonewall, a luta LGBTQIA+ continua forte e cotidiana. Sem ela, o Brasil não seria referência ao Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DSTs ou não teríamos a liberdade para poder casar e constituir família entre pessoas do mesmo sexo. Isso sem citar a importância em construir um país menos violento ao criminalizar a homofobia. 

Todas essas lutas ensinam a nós, educadores, educadoras, que a liberdade de um povo é algo que temos que ter em nosso horizonte sempre: liberdade de aprender, de ensinar, de ser, de amar. Mais do que um ensinamento, a luta LGBTQIA+ nos convida a sermos parte dessa mesma bandeira para garantir o que a nossa Constituição Federal de 1988 sustenta em seu artigo 205: 

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

É importante lembrar que a escola é lugar das diferenças. São elas que nos movem e nos ensinam. Além disso, não há cidadania sem o estabelecimento das liberdades plenas. E a educação tem um papel principal na garantia dessa cidadania por meio da uma pedagogia crítica e libertária que tanto Paulo Freire nos ensinou. 

Infelizmente vivemos um contexto que se distancia da garantia de nossas liberdades: o Brasil é o país que mais mata travestis no mundo, o movimento ultraconservador e antidireitos segue firme e a comunidade educativa se vê pressionada e muitas vezes criminalizada por defender direitos a todas, todos e todes. 

E justamente por causa dos retrocessos que temos vivido é que a data de hoje se faz tão importante. Ela mostra que ainda em contextos mais repressivos há resistência e não estamos sozinhos na luta e, mais do que isso, outras lutas também fazem parte da nossa. Lutemos por uma educação de qualidade, pelas liberdades, pelo direito de aprender, ensinar, ser, amar e construir um país livre da LGBTfobia. A luta pelos direitos e liberdades LGBT também é nossa luta!

(Foto: Pedro Biava)